Saturday, December 10, 2011

monólogo III

e a voz cessou
no sonho em que já não sou Deus
deixei de me ouvir

fala vento no seu restolho
traz consigo a noite
seu manto afagou-me o sono

monólogo II

Falo baixinho, os meus botões também ouvem.
E há coisas que eles não devem saber.

E aqueles segredos mais altos,
os que o mundo deveria conhecer,
são meros exercícios
                sem espaço, sem tempo.

Ficam guardados aqui,
entre mim e os meus botões.

monólogo I

gritam dum futuro distante
ecos em paredes siderais
e as palavras não encontram voz